Quis escrever sobre você, sobre o seu nome, sobre seu sorriso, sobre todas essas linhas imaginárias que de um jeito ou de outro sempre me puxam de volta para tudo isso que assusta e conforta ao mesmo tempo. Quis contar que a culpa por eu estar escutando a música mais triste de todos os tempos é sua. Quis compartilhar contigo que o espaço vago entre os astros me lembra o vazio que de repente somos, e a distância que adquirimos, my baby, é da espessura dos cometas que se perdem entre as estrelas. Quis escrever sobre qualquer coisa que não seguisse a trilha pesada da nossa história mal escrita e cheia de vírgulas. Mas a música triste estava a um clique de distância e o peito, subitamente afogado por uma nostalgia branda, quis te escrever. E não haveria de ser sublime ou, sendo otimista até demais, feliz. Porque somos nós, o frio da Antártida inexplorada e doente. Mas inexplicavelmente também somos a alegria da primavera, somos uma promessa. Sunshine, baby, é o que somos, ou éramos, ou ainda podemos ser. Porque além da perda tivemos ganhos e o que seria de mim sem você para me ensinar a compactuar com tuas ideias e assistir aos teus filmes preferidos? Me diz, o que seria de mim sem a inocência das tuas canções que falam sobre amor e o desastre que é ter presenciado tuas aulas de violão? Não há paz em um mundo aonde a chuva não vem acompanhada de alguns trovões e relâmpagos. Não seríamos tão frios se algumas vezes não fossemos tão quentes. E quanto ao que eu quis escrever e ao que de fato escrevi, você me conhece, baby, eu quero tantas coisas e quero tão pouco ao mesmo tempo. Mas no momento estou incompleta porque meu sol está nascendo e tua lua ainda dorme. Não tivemos um fim e esse texto também não.
Te olho nos olhos e vejo essa imensidão sem fim Submersa entre dois mundos Te percebo sem jeito Com medo Atenta a tudo mas distante de mim O sol já calado dá lugar a uma chuva inesperada Procuro seu olhar que vaga Deságua pra longe Inunda de silêncio o ambiente Chove Chove Chove O tempo não para Você que não fala Seu olhar que se perde E eu não entendo Decerto seja o tempo nos dizendo para ir com calma Mais calma Silêncio Por dentro você grita Insista! Resista! Persista! A chuva dá lugar a brisa Te olho sem querer falar Levantamos Estiou Nos abraçamos Você não se reconhece como sendo uma beleza viva Se tranca dentro da jaula da alma Aflita Necessitada de um espelho De um brilho De um toque Eu te toco, te apresento a você Olhe para dentro de mim Olhe para dentro de si A chuva parou O tempo esfr...
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