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Comparável ao nada


Sou tão frágil, tão sonhadora. Tão pequena. Posso ser comparada a uma folha de papel que dobra, amassa, rasga, desdobra, se machuca, mancha e molha. Se solta.
Sou comparável a um pequeno inseto que voa, mas também é carregado pelo vento forte.
Comparável a uma poeira que acha que pode parar em qualquer lugar, mas na verdade só fica onde a colocam. Debaixo do sofá, de um livro, de um sentimento. Tão vulnerável. Tão minúscula. Como se fosse feita de porcelana e pudesse quebrar com apenas um toque. Um toque meu, seu ou de qualquer outro. Tão suscetível às coisas ao meu redor. Aqueles pequenos erros, meros detalhes, um sonho, apenas.
Como um espelho dos acontecimentos externos. Como uma imagem da perturbação interna. Um devaneio, uma loucura indesejável. Sinto-me tão insignificante. Tão inútil. No meio desse mundo gigantesco. No meio dessa multidão. Bem no centro dessa palhaçada e dessa bagunça. Um grão de areia misturado com os outros na praia. Aquela imensidão silenciosa, infinita. Sinto-me tão impotente. Como se pudesse fazer mais, mas não sei por onde começar. Me faltam palavras, me faltam lugares, certezas, me faltam abraços e vozes conhecidas. A sua, a minha, a dele. Como se pudesse ser melhor, mas está bom assim. Ao mesmo tempo em que penso que minha parte pode fazer a diferença, temo não conseguir fazer nada sozinha. Porque sou tão pequena. Sou só uma. Tão frágil. Tão sonhadora.

Eu quero irradiar liberdade, mas me falta coragem.

Cind Jami (L

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