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Do outro lado da porta

Quis sumir e te deixar para trás. Quis gritar e mandar que fosse embora. Quis te esquecer, quis me iludir, me perder, me virar e trancar tudo do outro lado da porta.
Sua voz me atormenta por onde quer que eu vá, seus olhos me perseguem e isso não tem me causado boas sensações. Eu quis te envolver em algo só meu e agora você está indo embora...
Eu quis me calar, mas te pedi para ficar. Quis prender o choro, mas tudo o que fiz naquela noite, atrás da porta, foi chorar como uma criança desolada.
Eu preciso conseguir, mas não sei fazer isso.

Eu cometi os meus erros e não tenho para onde caminhar. Não posso fugir.

Tenho medo do que desconheço, do inconstante. Da madrugada, do que me ameniza a dor.
Tenho medo dos segredos posteriores e das verdades incompletas. Eu tenho medo do que escondemos do outro lado da porta.
Tenho medo das minhas emoções e do seu silêncio.

Eu quis dizer para confiar em mim, mas não fiz isso. Quis te olhar e te guardar, quis te ouvir, te abraçar. Quis ser o que não tenho sido.
Mas, cansei. Me entreguei.

Me deixe só. Me deixe como vai ser agora. Me deixe com os meus medos e as minhas caras. Eu quis muito e dei pouco. Quis sabor onde era insosso.
Quis mais, muito mais. Hoje nada disso importa.
O que me resta? Não querer saudade. Nem senti-la.
Eu quis deixar de mentir também, mas não sei fazer isso.


Cind Jami (L

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