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Desiludir

Acontece que a vida nem sempre é justa com os nossos sentimentos e que nem toda verdade acalenta o coração. Nem tudo passa, nem todas as dores não são tão doloridas assim. Nem todo sorriso quer dizer alegria, mas as lágrimas quase sempre são de mágoa e sofrimento.
Me perdoe a expressão do dia de hoje. Mas as coisas estão pesadas, realmente pesadas.

Olhei para a luz da lua e por instantes consegui sentir uma paz, sem medo. Me permiti sentir.
Abri mão da saudade, do que incomoda, das preocupações, desse olhar triste. Esqueci de mim, para somente sentir.

Quero sair descalça, quero alcançar o infinito e voar. Quero sair correndo, cabelo ao vento, esquecer de tudo e me jogar no mar. Quero afundar. Fechar os olhos. Sucumbir...

Meu ar, meu som, meu silêncio, meu domínio... 

Minha boca deixou de falar, meu punho deixou de escrever. Não vou tentar pedir, não vou voltar a superfície, não vou nadar. Hoje eu não quero mais. Não há mais nada para se fazer. A vida que sempre levei foi um ensaio geral para que na hora do espetáculo desse tudo certo, isento de erros e de amor. Se foi assim, eu já não sei.

Olhei para a lua e ela olhou para mim. Como num suspiro ligeiro, sinto a brisa tocar o meu rosto, me fazendo chorar. Me falta ar, me falta algo. Me falta uma expressão. E compaixão. A neblina caiu sobre o meu sorriso e ofuscou o que já não era totalmente puro. Nada foi perdido enquanto aqui ficou coberto por poeira.

Eu preciso ir. Preciso desacelerar, desiludir...

Cind Jami (L



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