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[...]

Eu não posso viver assim. Eu não posso continuar assim, na esperança de andar com ou sem você. 
Vivemos na espera de dias melhores e você se entrega, e eu te espero. Percebe que soa meio absurdo?


Você se entrega... Você se entrega... Você se entrega a troco de quê? Meus sonhos estão pesados, minha voz está rouca de tanto chorar e as minhas mãos estão atadas. Eu não posso viver com ou sem você e isso me parece alguma música mal cantada, com algum passado ainda não desvendado.


Eu ando por uma terra ainda não conhecida, mas eu sinto em algum lugar que conhecia tudo isso como a palma das nossas mãos, juntas, apertadas e loucas. Isso tudo é tão surreal, arbitrário. Estou envelhecendo e preciso de alguém em quem confiar. Então me diz, quando você vai voltar pra cá? Quando vai se permitir crescer e entrar?


Se eu pudesse eu iria para onde você fosse. Se eu pudesse eu mudaria tudo ao nosso redor. Se eu pudesse te traria pra cá e viveríamos assim, sem cobranças, sem mundo exterior. Se eu pudesse me tornaria alguém que não sou.


Se eu pudesse...


Hoje eu senti falta de você. Falta do que já fomos juntos. Falta daquele olhar carinhosinho que você costumava ter. Enquanto me revirava nos lençóis, quis você aqui, chamando o meu nome, sem tesão, com os olhos fitos nos meus.
Quis o seu abraço, seu corpo junto ao meu. Quis seu sobrenome depois do meu. Quis um sonho. Quis não sentir saudade.


Estamos tão próximos e tão distantes, tão unidos e tão dispersos. Não há conversa que se encaixe, não há sorriso que limite essa brecha.
Eu te quero aqui. Te quero como antes. Te quero pra mim. De novo.


Se eu pudesse, apagaria tudo isso que não sei explicar, e pronto. Andaria conhecendo o mundo, abraçando abraços, sorrindo por dentro. Teria o meu e daria o seu. Faz falta. Ter você, como antes, faz falta.


Cind Jami (L

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